Nenhuma barreira poderá represar-me e impedir que me torne um oceano.
Se barrarem minha passagem colocando grandes pedras no meu leito converter-me-ei em torrente, em cachoeira, e saltarei impetuoso.
Se me fecharem todas as saídas, eu me infiltrarei no subsolo.
Permanecerei oculto por algum tempo mas não tardarei a reaparecer.
Em breve estarei jorrando através de fontes cristalinas para saciar a sede dos transeuntes.
Se me impedirem também de penetrar no subsolo, eu me transformarei em vapor, formarei nuvens e cobrirei o céu.
E, chegando a hora, atrairei furacão, provocarei relâmpagos, desabarei torrencialmente, inundarei e romperei quaisquer diques e serei finalmente um grande oceano.
Massaharu Taniguchi

Santa Bárbara (ano 235) nascida na Nicomédia (Bitínia, Ásia Menor) filha de pais nobres e idólatras. Muito bela, foi presa numa torre, por ordem do pai, para que ninguém na ausência dele, a pretendesse por esposa.
Tendo se tornada cristã, Bárbara mandou abrir uma terceira janela na torre, para que pudesse ter sempre diante de si um símbolo da Santíssima Trindade, foi denunciada pelo pai como cristã, sendo condenada à morte.
O próprio pai se dispôs a decepar-lhe a cabeça. Depois de martirizar a filha, um raio o matou. Segundo a tradição católica romana Santa Bárbara é a padroeira dos fiéis contra tormentas.
A Capela Santa Bárbara, é um pequeno templo situado em Ponta Grossa que foi tombada como patrimônio cultural do Paraná em 10 de outubro de 2000, destaca-se pelo valor histórico, por ser a primeira capela erguida pela missão cientifica dos jesuítas no período de 1707 à 1729.
Junto à capela foi construído um cemitério, onde ilustres cidadãos foram sepultados. Através destas características é que ocorre o sincretismo entre Santa Bárbara e YANSÃ.
Orixá guerreira, que junto com Ogum é aplicadora da Lei. Senhora do Tempo, o tempo climático; os raios, as chuvas, as ventanias, os ciclones e os tufões são as forças naturais de Yansã, aquela que direciona e movimenta.
Senhora dos Cemitérios, Mãe dos Eguns, que direciona e encaminha à Obaluayê os eguns, espíritos que estão perdidos no tempo, no passado, espíritos negativos que por vingança, até de vidas passadas, atormentam o Ser.
Ela não tem medo da morte, ela é ar, é respiração, sem respiração não há vida. O próprio nome Yansã deriva de seu relacionamento com a morte: iya-mesan-orun, que significa Mãe dos nove orum (Orum – o céu, o mundo, a terra, o tempo de vida).
Yansã é representada como uma mulher batalhadora, corajosa, teimosa, ciente de sua autoridade, guerreira, poderosa e fiel. Ser filha de Yansã é saber dominar os ventos. É saber encaminhar os eguns, que naturalmente são atraídos às suas filhas por pertencerem ao mistério do direcionamento e do cemitério.
É ser paixão, que é o sentimento mais forte que a razão, aquela que cria o desejo de possuir.
É o Orixá que faz nossos corações baterem com mais força e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados.
Yansã é o vendaval que derruba e a ventania que faz tudo balançar, Yansã é Lei atuando no sentido de direcionar os seres que se desequilibram.
É a novidade que renova a Lei na mente e no coração humano: é a busca de melhores condições de vida para os seres.


