Boiadeiros

O corpo começa a estremecer, o coração bate mais forte e a força, a coragem, a determinação, a sabedoria, a seriedade e a alegria tomam conta do mental e do emocional do médium que rapidamente gira, começando a dançar e a movimentar seu chicote e ao gritar: “Ô! Boi” demonstrando o vigor e a força do Boia­deiro, agora em terra. O plano astral inferior estremece, não se tem mais como escapar do laço do Boia­deiro que rapidamente envolve todos os seres negativos que perturbam o médium e a Casa Santa. Com amparo de Ogum, seu Orixá protetor, o boiadeiro encaminha todos esses malfeitores para o domínio da Lei, onde serão refreados e re­di­re­cionados com a grande oportunidade de Evolução, demonstrando um grande trabalho de caridade e principalmente de amor ao próximo.

Os Boiadeiros vêm dentro da corrente de Oxóssi, dos Caboclos. Eles são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, “o caboclo sertanejo”. São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro e assim vai. Para algumas correntes de pensamento umbandista, esses espíritos já foram Exus e, numa transição dos seus graus evolutivos, hoje se manifestam como caboclos boiadeiros.

Sofreram preconceitos, como os “sem raça”, sem definição de sua origem. Ganhando a terra do sertão com seu trabalho e luta, mas respeitando a natureza e aprendendo, um pouco com o índio e suas ervas, plantas e curas; um pouco com o negro e seus Orixás, mirongas e feitiços; e um pouco com o branco e sua religião, falando de Jesus e de Nossa Senhora com respeito e carinho (com o sincretismo misturando a do índio e do negro,) e sua língua, entre outras coisas.

Formam uma linha mais recente de espíritos pois na primeira década da fundação da Umbanda, em 1908, não havia manifestação explícita dessa linha de trabalho. No astral, porém, ela já se preparava para trazer seus ensina­mentos, suas alegrias e suas experiências, chegando em massa após os anos 20. Os boia­deiros já conviveram mais com a moder­nidade, com a invenção da roda, do ferro, das armas de fogo e com a prática da magia na terra, e esse ponto nos ajuda muito para diferenciarmos dos caboclos, que foram povos primitivos.

De um modo geral, os Boia­deiros usam chapéu de couro com abas largas, para proteger do sol forte, calças arregaçadas e movimentam-se muito rápido. O chicote e o laço são suas “armas espirituais”, verdadeiros Mistérios e com eles vão quebrando as energias negativas e descarregando os médiuns, o terreiro e os con­sulentes. A corda é usada com sabedoria para laçar o “boi brabo”, ou para “pegar aquele que se afasta da boiada”, ou ainda usada para “derrubar o boi para abate”. Dentro do campo mediúnico, os boiadeiros fortalecem o médium, abrindo a porta para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, como os Exus.

Da mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com força e fé muito grandes.

Salve os Boiadeiros! Jetuá!

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